Toxik, Combustion e After Effects

Toxik, Combustion e After Effects

Caso você tivesse que montar um álbum de fotografia, de que forma você faria? Pegaria todas as fotos, colocaria todas espalhadas em cima da mesa e começaria selecionar aquelas que você colocaria aqui ou ali e aquelas que você recortaria a cara do fulano e etc? Ou você teria todo o trabalho de organizá-las, empilhando-as em grupos na sua frente dizendo assim: essas aqui eu são do casamento, essas são da nossa viagem, essas outras eu vou ter que fazer recortes para caber, etc, etc? Qual das maneiras você obteria um resultado melhor? Mais rápido? E se você tivesse esse trabalho como ganha-pão, de fazer álbuns com prazos curtos e uma demanda grande?

Bom, parece ser essa a diferença entre a operação do Toxik em relação ao Combustion e After Effects, só que usando vídeos e efeitos visuais. Algum leitor poderia se questionar assim: ok, mas é válida essa comparação? Pensando entre Combustion e After Effects, creio que sim. Ambos os softwares são utilizados para efeitos visuais e composição. Ok, mas e o Toxik? Sim também é e, tendo em vista a ausência de atualização do Combustion, podemos até entender que o Toxik, com uma tecnologia mais moderna e com uma das versões baseada em 64 bits, deva ser um concorrente mais avançado tecnologicamente do que o After Effects e um substituto do Combustion.

O sistema de operação “node-based” do Toxik parece ser muito mais rápido visto que, enquanto no After Effects e Combustion você carrega os “footages” para um determinado local e depois arrasta-o para a composição, no Toxik o caminho foi “encurtado” de modo que o lugar onde você guarda os “footages”  é exatamente o lugar onde você fará a ligação com o caminho de saída (render), isto é, com uma composição. A primeira grande vantagem que eu percebi foi a agilidade em executar o processo. O conceito de composição quase desaparece visto que não há mais uma composição onde você deposita os “layers”. Há sim a sua mesa de trabalho com as imagens e os efeitos visuais e os “output” e ali você conecta um e outro dando o sentido ao seu trabalho. O conceito de composção começa a aparecer depois, quando você precisa animar.

Esse modo de trabalhar não é exatamente uma novidade. Muitos outros softwares de composição incluindo o próprio Combustion e After Effects e também softwares 3d como 3ds Max e Maya possuem um modo de visualização esquemática (“schematic view”) onde você pode fazer as ligações com outros “layers” e efeitos. A diferença é que o Toxik quase não possui a interface padrão dos softwares de composição. Obriga o usuário a utilizar os “node” de modo mais parecido aos das plataformas Hi-End da Autodesk como o Flame, o Flint, entre outros. E para tanto, foram feitos aperfeiçoamentos no sistema de “node” atendendo aos detalhes de operação em relação ao Combustion.

O resultado é um software leve, rápido, de alta produtividade, e com suporte para 64 bits. Basta saber se ele realmente vai atender à variedade de situações de uso em que o After Effects domina no Brasil, como por exemplo, o mercado de videografismo para televisão aonde as composições chegam a ter dezenas e dezenas de “layers” sobrepostos como efeito visual. Será que vamos nos achar no meio de tanta foto espalhada?

About the Author

Marco Antonio de Azevedo é o atual manager e também professor de 3D e Motion Graphics da Van Marc Motion Design, Centro de Treinamento Autorizado Autodesk em Florianópolis, Santa Catarina - Brasil. Há mais de 11 anos no mercado da CG, já produziu incontáveis trabalhos de animação 3D, composição e efeitos visuais para televisão e ilustração para mídia impressa e web. Suas especialidades estão no Autodesk 3ds Max, Adobe After Effects, Autodesk Combustion e o Adobe Photoshop.